Não sei de outras cores depois que vi teus olhos. Não sei de outros sabores depois que beijei teus lábios. Não sei de nada depois de ti. O amor me roubou e eu deixei que me levasse também.
" Não TE QUERO senão porque te quero
e de querer-te a não te querer eu quero
e de esperar-te quando não te espero
passa o meu coração de frio ao fogo.
Te quero só porque a ti eu te quero,
do ódio sem fim, e a odiando-te rogo,
e a medida de meu amor viajante
é não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro,
seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.
Nesta historia tão só eu me faleço
e morro de amor porque te quero,
porque te quero, amor, o sangue e fogo. "
" O tempo fica
cada vez
mais lento
e eu
lendo
lendo
lendo
vou acabar
virando lenda. "

Se não fosse deus oferecendo um riso pós morte, eu viveria por um dia mais, ou dois. Mas é que a incerteza dos meus passos só me deixam dúvidas. “Pra onde é que eu vou se não existe lugar nenhum?” Ir pro nada, viajar no vácuo é o que quero. Fico me imaginando numa eternidade uterina. Sozinha no conforto dos meus pensamentos. Me preparando pra viver. Tudo isso porque eu detesto a ideia do presente. Porque o que corre é o tempo real e segunda chance não apaga nem recupera o passado. E quando você vira passado, você já era. Quem é agora, é outra pessoa. Que também vira passado. 
E sucessivamente, até que a única coisa que resta de você é uma foto num álbum velho de fotografia. Ou o seu nome na memória bagunçada de alguém. 
Brevidade é um soco na cara, mas eternidade também deve ser.
Só que o pra sempre sempre será mais bonito, pelo simples fato de não ser possível.
Tudo é mais bonito no avesso da realidade, acho que é esse o motivo de eu gostar tanto de ficção científica e lsd.
Morte assusta mas conforta. 
Você acaba e tudo o que dói silencia junto com sua voz.
Seria interessante morrer por alguns segundos e poder voltar e escolher se vai ou fica. O que é pior? Existe mesmo deus? Como é?
Pena que segunda chance não apaga e nem recupera atitude alguma - ou vida alguma.

(Fonte: desafagos)


O tempo não perdoa - já ouviu isso? Mas o que ele tem pra perdoar? A pressa sempre foi nossa, então que nós nos perdoemos por não viver.

(Fonte: desafagos)


Tenho tanto sentimento

Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa

(Fonte: c-a-n-a-r-i-o, via o-cancioneiro)


Enterrei meus olhos nas mãos, chorei por um infinito e me quebrei dentro de ti. Não venha me conjugar nestes teus olhos frios, não posso passar a eternidade sendo projetava em dois grandes círculos marrom cor de céu. Dói me ver condicionada incondicionalmente presa em tua carne

mordendo 

e alimentando 

do teu sangue 

cru 

nu 

e viril. 

Vénus. 

(Fonte: umgozopromeutero, via poesitando)


" Você é aquilo que ninguém vê. Uma coleção de histórias, estórias, memórias, dores, delicias, pecados, bondades, tragédias, sucessos, sentimentos e pensamentos. Se definir é se limitar. Você é um eterno parênteses em aberto, enquanto sua eternidade durar. "
" E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo, no tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As pessoas têm cheiros, é natural. Os animais cheiram uns aos outros. No rabo. O que é que você queria? Rendas brancas imaculadas? Será que amor não começa quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vai rir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum sentido? Se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você até pode gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o que chamam de amor. Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito fundo. Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro. Do teu próprio corpo que é igual, talvez tragicamente igual. O amor só acontece quando uma pessoa aceita que também é bicho. Se amor for a coragem de ser bicho. Se amor for a coragem da própria merda. E depois, um instante mais tarde, isso nem sequer será coragem nenhuma, porque deixou de ter importância. O que vale é ter conhecido o corpo de outra pessoa tão intimamente como você só conhece o seu próprio corpo. Porque então você se ama também. "
Poeta,

o seu corpo

se decompõe em verso

(Fonte: desafagos, via desafagos)


Me beija com esses lábios de fome.

(Fonte: desafagos, via desafagos)


" No palco, na praça, no circo, num banco de jardim. Correndo no escuro, pichado no muro. Você vai saber de mim. "
" O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formamos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida. "
" Chego, às vezes, a suspeitar que os poetas, os verdadeiros poetas, são uma espécie de erro de programação genética. Aquele produto que saiu com falha, entre dez mil, um sapato saiu meio torto. O poeta é aquele sapato que tem consciência de linguagem, porque somente o torto sabe o que é direito. Então o poeta seria um ser dotado de erro, donde essa tradição romântica de marginalidade, do poeta como bandido, banido, perseguido. "

Não sei de outras cores depois que vi teus olhos. Não sei de outros sabores depois dos teus lábios. Não sei de nada depois de ti. O amor me roubou e eu deixei que me levasse também.

 

(Fonte: desafagos, via desafagos)